TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

    1. INTRODUÇÃO

O conceito de representação social situa-se na fronteira entre a sociologia e a psicologia, e o termo provém de “representação coletiva”, de Durkheim (Moscovici, 2003).

Em 1961, Serge Moscovici (Ibid.) propôs o conceito de representação social na sua tese de doutorado “La psychanalyse, son image, son public”, orientada pelo psicanalista Daniel Lagache. Desde então, evoluiu-se da elaboração do conceito ao desenvolvimento da teoria, que constitui uma nova unidade de enfoque que unifica e integra o indivíduo e o coletivo, o simbólico e o social, o pensamento e a ação.

A teoria das representações sociais é uma valiosa ferramenta dentro e fora do âmbito da psicologia social, pois oferece um marco explicativo sobre os comportamentos dos indivíduos que não se limita às circunstâncias particulares da interação, mas que transcende ao marco cultural e as estruturas sociais mais amplas como, por exemplo, as motivações para estudar e aprender.

Atualmente concebe-se que as representações sociais são um conjunto de opiniões, discursos e explicações geradas durante o curso das interações interpessoais que, por serem socialmente elaboradas e compartilhadas, contribuem para a construção de uma realidade comum, viabilizando a comunicação entre os indivíduos (Jodelet, 2001). São elas que determinam os comportamentos das pessoas e, com isso, justificam suas ações, ao modificar e reconstituir os elementos do ambiente onde se formaram (Moscovici, 1978). O ser humano procura elaborar questões na busca de respostas e, concomitantemente, compartilha realidades por ele representadas. Moscovici concebe o “social” como uma coletividade racional, que não é apenas um conjunto de cérebros processadores de informações sob a força de condicionamentos externos.

    2.  Como se estudam as representações sociais?

O estudo das representações sociais segue três abordagens (linhas, escolas) de investigação, que se formaram ao longo dos anos (Sá, 1998) e que não são incompatíveis entre si, mas complementares.

1) Abordagem processual (escola clássica): liderada por Denise Jodelet, em estreita sincronia com a proposta original de Serge Moscovici, dá ênfase aos aspectos constituintes da representação social. Metodologicamente recorre ao uso de técnicas qualitativas, em especial às entrevistas em profundidade e a análise de conteúdo. A maioria das pesquisas segue essa linha.

2) Abordagem estrutural (escola de Aix-en-Provence): desenvolvida desde 1976 por Jean-Claude Abric, está centrada em processos cognitivos das representações sociais e visa estudar a influência de fatores sociais nos processos de pensamento por meio da identificação e caracterização de estruturas de relações. Metodologicamente recorre às técnicas experimentais e será a abordagem adotada no presente trabalho.

3) Abordagem societal (escola de Genebra): liderada por Willem Doise, tem uma abordagem sociológica e dedica-se a estudar as condições de produção e circulação das representações sociais.